Presidenciais vistas de longe

O que sei das presidenciais é visto em blogs e notícias na net. Felizmente, imagino, não aturo os jornais e televisões. Como não podia deixar de ser tenho uma opinião sobre os candidatos. Na realidade é mais uma opinião sobre o país.

Que raio de país é este (ou devo dizer "esse"?) em que nas eleições para a primeira figura do estado só concorrem estas tristes figuras? Vejamos:

  • Louçã: É candidato para ser candidato e para tentar arranjar mais votos nas próximas eleições em que o BE tenha alguma hipótese. É esse o BE de hoje em dia, aprendeu a fazer política e não sobra tempo para lutar por alguma coisa de jeito.
  • Jerónimo: Está quase na mesma situação que o anterior embora tenha um discurso consistente e coerente. Infelizmente é o mesmo discurso dos últimos 20 anos.
  • Alegre: Nunca lhe perdoarei ter estado nas manifestações contra a co-incineração a lutar não contra a coisa mas contra ser feita em Coimbra. Deve escrever bons poemas e tenho a certeza que a sua história de luta anti-fascista e pela democracia é exemplar. Mas de um presidente exige-se raciocínio e não reacções a quente. É este o tipo de pessoa a quem queremos dar poder de veto?
  • Soares: Está velho e nunca foi particularmente bom governante. É outro que vive do currículo que tem. Ao contrário dos primeiros três este sempre tem trabalho para mostrar mas não é trabalho particularmente bom.
  • Cavaco: É talvez o único em cuja honestidade acredito. Mas acaba aí a minha admiração. Como primeiro-ministro não foi grande coisa, por muito que o queiram glorificar. Os défices eram altos na mesma e o investimento foi todo enterrado no alcatrão de estradas começadas por "A". Não quer dizer que não fosse preciso fazer isso, mas só fez o fácil. Para presidente não tem qualquer perfil. Tinha mais perfil para ministro das finanças do que para primeiro porque não é um político. Por muito que isso seja um elogio quer dizer que não serve para presidente.

E são estes os candidatos que temos para substituir a infelicidade corrente. O homem que tornou possível que Santana Lopes pudesse ser primeiro-ministro de Portugal. O homem que aprovou uma lei que só se aplica a uns metros quadrados de território porque era uma tradição do sítio e por isso devia ser uma excepção.

É este o estado dos nossos governantes. O que é assustador não é que sejam estes os que temos. O que assusta é que é evidente que há gente melhor no país. O que assusta é que estamos a fazer algo que faz com que os tipos que têm possibilidade de serem eleitos para cargos públicos sejam tão fracos. Pode ser que sejam só os restos da velha guarda. Espero bem que sim.

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