O Papa fez umas declarações consideradas uma ofensa ao Islão. Os islâmicos mais radicais conseguiram mais uma vez fazer figura de urso pela resposta violenta que tiveram, tal como já tinha acontecido com os cartoons de Maomé. Se calhar é melhor pararem de reagir às críticas provando por excesso serem aquilo de que vos acusam.
O que acho fantástico nesta situação é que remete logo para o tema religioso do momento, o diálogo inter-religioso. Querem fazer-nos acreditar que os líderes das religiões que praí andam querem realmente aproximar-se uns dos outros.
Ser de uma religião implica por definição acreditar que os tipos que são das outras estão errados. Para que duas religiões não sejam a mesma em algum ponto têm que discordar. A não ser que estejam a pensar fundir-se podem conversar tudo o que quiserem que no fim vão continuar a ser uns uma coisa e outros outra.
Já estava mais que na altura de se deixarem destas fantuchadas ridículas. Escolheram aceitar como guia de vida textos e profecias de origem duvidosa sem qualquer tipo de prova ou pensamento crítico. Agora vão ter que aceitar que isso torna a vossa posição inflexível para com as crenças (fundadas ou infundadas) dos outros.
Faz todo o sentido que o Papa tenha citado um texto do século XIV, não se sabe escrito por quem, contendo uma posição xenófoba do imperador Bizantino para com o Islão. A religião é mesmo isto. Estavam à espera de quê? Um estudo sociológico recente? Ainda não vi foi o Islão a citar algo igualmente escabroso sobre a Inquisição ou as cruzadas. Isso sim seria diálogo inter-religioso.
