Forma como Conteúdo

Os episódios do CSI são um exemplo bastante claro do uso da cor e da filmagem como elementos de primeiro plano, parte da mensagem. Não são só elementos de estilo, entram na história.

Já se faz isto há algum tempo. Lembro-me de reparar nisto pela primeira vez no Traffic. Faz-se há ainda mais tempo com o som. O ritmo sincopado nas cenas de suspense, o riso da audiência nas séries de comédia.

Estes elementos são um desvio do cinema e televisão da representação da realidade. O mundo não tem este tipo de pistas. Ao acrescentar isto, principalmente usando uma linguagem comum a todos está-se a acrescentar um nível de interpretação.

É uma técnica como qualquer outra e há-de ser usada e abusada. Retira impacto aos actores, já que a reacção que a cena é suposto provocar já está codificada nos elementos acessórios. Diminui-nos como espectadores. Deixa de nos ser esperado um nível mínimo de interpretação. Temos as indicações todas do que devemos sentir e é só obedecer.

Não quero com isto dizer que a forma não se pode intrometer no conteúdo. Isto é arte afinal. O que me assusta é que às vezes parece que o conteúdo fica refém e em segundo plano à custa destas muletas.

Sempre tive curiosidade em saber qual seria a reacção se trocássemos a música do suspense com a música do momento romântico ou do ataque alienígena. Fazendo isso também com a imagem produziria uma crítica à nossa dependência destas pistas. O que é algo irónico já que nesta caso a forma seria o conteúdo.

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