Destino

Lá por não haver sentido para a vida não quer dizer que não esteja tudo pré-destinado. Tudo pende na questão de se temos livre arbítrio.

A cada momento o Universo está num estado qualquer. O que falta saber é se o estado seguinte depende apenas do anterior ou se há alguma escolha possível. Não sei se já alguém provou isso. Se não houver escolha, o futuro já está todo definido, só falta esperar por ele. Mesmo que haja escolha, pode acontecer que não dependa de nós. Nesse caso o futuro não está determinado, mas é como se estivesse porque não temos nada a contribuir.

O mais engraçado nesta questão é que embora a pergunta seja fascinante a resposta é irrelevante. Se se provar que sim, temos livre arbítrio, só se confirma que temos de tratar de fazer as nossas escolhas. Não muda nada. Se se provar que não temos livre arbítrio ou que está tudo destinado então não há nada a fazer.

Provando-se o destino ocorrerá algo estranho. Tendo-se provado que não temos influência no futuro haverá quem desista por saber que não pode mudar nada. Ao desistir mudará o curso da sua vida. Mas esta mudança já estava definida. Usando este raciocínio haverá quem diga que pode decidir continuar a sua vida da mesma forma em vez de a desperdiçar desistindo. Só que também esta decisão estava determinada.

O destino deita por terra a ética, a moral, a liberdade e tantas outras coisas. Se o futuro está definido e não temos escolha não somos livres nem podemos ser responsabilizados pelas nossas acções, porque não são escolhas. Mais estranho é ver que deixamos de poder dizer que criámos o que quer que seja. As coisas que vamos fazendo são só o destino a desenrolar-se, não são criadas por nós.

Este tipo de mundo parece demasiado estranho para ser verdade. No entanto, para que não seja assim, é preciso que em algum ponto ao passar de um estado para o seguinte o Universo tenha uma hipótese de escolha. Este mecanismo está por descobrir.

O princípio da incerteza só diz que não é possível medir o estado preciso do Universo num dado momento, não diz que este estado preciso não existe. O facto do Universo ser caótico também não chega. É verdade que é impraticável prever o que vai acontecer, pode até ser impossível. Mas isto não quer dizer que não esteja já definido.

Pode acontecer que as leis da natureza tenham uma componente aleatória e que portanto o futuro seja imprevisível. Isto já parece simples. O problema é que não chega para nos dar livre arbítrio. Ainda falta a maneira de nós termos uma qualquer influência que faça diferença para o avançar das coisas. E é preciso que essa influência dependa de uma escolha nossa.

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Comentários

Nome: Bia
Data: 2006-04-02 20:13:09
Texto:
Pedro não tenho estado ausente, mas como estou quase.. quase a terminar a licenciatura(sim estou na fase de contar os meses:)não venho tantas vezes ao "mundo virtual". De qualquer das formas eu não tenho nenhum blog(não, não aderi à moda)mas confesso que vejo 3/4 blogues de opinião, e como já te disse gosto imenso do teu..e já tinha saudades de te "ler" porque deixaste o teu cantinho por uns dias(eu sei que agora também tens mais(como se diz no Porto) que fazerE(esta ênfase no "e" dos nortenhos..mata-me..é linda não é?)pronto está explicado! Estás a ver e como este comentário já tem quase a extensão de uma tese de mestrado...abstenho-me de falar no destino...
Beijo Bia*
Nome: cristina
Data: 2006-04-03 10:01:55
Texto:
-- "O mais engraçado nesta questão é que embora a pergunta seja fascinante a resposta é irrelevante."

- Não me parece que seja irrelevante. A provar-se que o livre arbítrio não existe, sim, acho que realmente "não há nada a fazer", até porque já estaria previsto o que iríamos fazer depois de obtermos essa prova. Mas caso se prove que temos livre arbítrio, não é bem assim. Quando dizes: "só se confirma que temos de tratar de fazer as nossas escolhas. não muda nada." Estás, obviamente, a falar como quem já acredita no livre arbítrio, mas as coisas mudam radicalmente para quem não acreditava, pois passa a haver uma responsabilidade que não existia anteriormente.

-- "Este tipo de mundo [pré-determinado] parece demasiado estranho para ser verdade."

- É o mínimo que se pode dizer! =)


Mas acho que falta um reparo importante: a haver algum tipo de destino pré-determinado, ele seria determinado por quem ou por o quê? Aqui há dois casos a distiguir: forças físicas e reações químicas ou alguma entidade superior. Não me parece que estejas a pensar em alguma entidade superior, por isso restam as forças e reacções.

Foste, então, "tentar provar" o nosso livre arbítrio a partir da (suposta) aleatoriedade do Universo, concluindo que não é condição suficiente. Claro que não chega! A aleatoriedade Universal (a existir) depende apenas das forças físicas e reações químicas e o nosso livre arbítrio (a existir) depende também de condições psíquicas. Portanto, por este caminho, restaria provar que a nossa mente é determinada unicamente por essas forças e reações exteriores - será que é?...

Não me parece que seja por aí... Mas também não me parece que seja por outro lado qualquer... Ou seja, não me parece que isto se vá algum dia provar!


[Nota: O primeiro link não está bem direccionado - talvez um .txt a mais...]
Nome: NxHViZLuvoX
Data: 2008-09-13 03:16:43
Texto:
qBi9Fm nnpykvhmviyr, [url=http://oxkrkmvijurp.com/]oxkrkmvijurp[/url], [link=http://oljifhjmytzf.com/]oljifhjmytzf[/link], http://pxujfebiugrn.com/

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