Secção: Suécia

Publicidade Sueca

Eu não costumo ver televisão por cá mas de vez em quando lá perco algum tempo em frente ao aparelho. Há dois anúncios distintos que eu tenho quase a certeza que foram filmados em Portugal. Um mostra o antigo campo central (agora centralito acho) do Estádio Nacional, onde se joga o Estoril Open. Outro um bairro qualquer que pelo aspecto das casas e dos carros me pareceu um bairro qualquer, provavelmente em Lisboa ou periferia.

Deve ter havido alguma agência de publicidade portuguesa que arranjou um contracto qualquer para fazer anúncios para a televisão sueca. Não deixa de ser estranho ver o centralito cheio de bandeiras suecas.

Mais engraçado foi um anúncio que vi hoje. Diz qualquer coisa do género:

"Graças à AXA os meus avós conseguiram uma reforma choruda e foram viver para um sítio mais quente e solarengo onde fazem o seu próprio vinho."

Este mesmo anúncio em Portugal seria antes:

"Graças à AXA os meus avós conseguiram uma reforma choruda e deixaram de precisar de fazer vinho lá na quinta."

Só nos faz falta o que não temos mas pelo menos o desejo da reforma choruda é constante.

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Momento de estupidez

Hoje passou o dia todo a nevar. Quando saí de casa à noite achei que os suecos tinham mesmo tudo muito bem planeado. Começa a nevar e aumentam a iluminação para que as pessoas não tropecem. Demorou-me um bocado a perceber que a iluminação era a mesma mas que como estava tudo branco eu via mais luz.

Fuga Escandinávia

Este fim de semana fiz uma visita relâmpago à Finlândia. Fui num barco de cruzeiro até Helsínquia e de volta em dois dias. A cidade é bonita embora prefira Estocolmo, Gotemburgo, ou Copenhaga. As fotos estão no sítio do costume, tal como as da visita algumas semanas atrás a Hamburgo e Bremen.

Estes barcos de cruzeiro têm piada porque são muito requisitados para quem se quer enfrascar e/ou comprar álcool. Como em geral o álcool é muito taxado, dentro do barco é muito mais barato, imagino porque conte como território internacional. Isso torna a viagem em si uma experiência interessante cheia de escandinavos de todas as idades leve ou fortemente ébrios. Já para não falar do contingente Erasmus... É melhor não falar para proteger os culpados... Eu, como toda a gente sabe, não bebo...

Esfregona, instrumento de tortura

Era isso...

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Viajar de comboio

Aqui na Suécia, sempre que quero ir a algum lado apanho um comboio ou um metro. Antes, para ir a qualquer lado, metia-me no carro e conduzia. Estava sujeito ao estado do trânsito e tinha de estar atento, de fazer alguma coisa para chegar ao destino. Agora meto-me num metro numa estação e saio noutra. O tempo de viagem é previsível e é só deixar-me ir.

A diferença entre conduzir e ser conduzido é muito maior do que parece. Quando estou aborrecido ou preguiçoso o comboio é o sítio perfeito. Tenho a reconfortante sensação de que estou a fazer progresso sem que para isso tenha de fazer o que quer que seja. Quando estou com pressa é enervante, quero tomar o controlo, diminuir o tempo de paragem nas estações, fazer o comboio andar mais rápido.

É daquelas coisas que podemos escolher também na vida. Escolher entre procurar um comboio que nos sirva e nos leve ou conduzirmos nós próprios.

Ponto da situação

Está quase a fazer dois meses que estou na Suécia. Está na altura de escrever mais um bocado sobre o que isto é.

Estava à espera de um país muito organizado ao ponto de me constranger, habituado como estou à atitude relaxada e em cima do joelho de Portugal. Em vez disso noto que o nível de organização é óptimo. As coisas funcionam, são bem organizadas, mas não são impessoais ou rígidas.

Há coisas que me são estranhas. A atitude sobre o álcool é muito diferente. Tornam o preço artificialmente alto e só o deixam vender em lojas estatais. O efeito distorce um pouco a forma como o álcool é visto. Ao fim-de-semana os suecos jovens andam por aí todos bêbados. Os estudantes estrangeiros acabam por destoar bastante. Parece-me que este controlo tão apertado impede as pessoas de aprenderem a lidar com a coisa. Quando começam a beber é prá desgraça. Começam cedo, são sistemáticos e parece que nunca param.

Socialmente estar bêbado é normal, mas só ao fim-de-semana. É um planear da vida que estranhamos um pouco. A atitude quanto a drogas parece ser de total reprovação social. Isto parece funcionar. Não parece quase haver bêbados e drogados. Pelo menos que se note.

Em geral o país parece funcionar. O controlo estatal das coisas parece-me excessivo mas funciona. A construção é muito regulamentada e talvez por isso as cidades têm ordenamento e arquitectura muito bons. A educação parece funcionar bem. Cuidados de saúde ainda não experimentei. Comprei uns anti-histamínicos, eram genéricos, baratos, funcionaram...

As pessoas são bem mais normais do que dizem. Sorriem, são simpáticas, não são acanhadas. Pode ser coisa recente, ou pode ser só nos centros urbanos. Em geral parece-me que têm muito menos preconceitos. Acho que quase sempre que notei alguma diferença para com a nossa forma de agir concluí que não encontrava razão alguma para o nosso modo, que era uma limitação arbitrária.

Estou a gostar. Não é tão diferente como dizem. Não resistindo ao comentário político, diria que prova que o estado social pode funcionar sem degenerar na economia planeada soviética. Mas sobre isso nada sei.

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Saramago falando sobre Democracia

Saramago na Aula Magna
Saramago na Aula Magna da Universidade de Estocolmo

Hoje, na Aula Magna da Universidade de Estocolmo, esteve José Saramago a falar sobre democracia e a universidade. O evento foi morno embora tenha tido os seus momentos de interesse.

O que mais me impressionou foram as perguntas. Creio que já tinha achado isto noutras ocasiões. Pelo que me pareceu, todas elas eram complicadas, necessitando de uma introdução antes da pergunta em si, e às vezes de clarificação. Eram do tipo de perguntas que fazem com que comecemos a pensar na pergunta e não na resposta.

O assunto era vasto e complicado mas a intervenção inicial de Saramago levantava, pelo menos a mim, perguntas bem mais primárias e elementares do que as que foram feitas.

Saramago disse que era preciso discutir a democracia porque a que temos tem defeitos e explicou alguns deles. Explicou por exemplo que a democracia representativa afasta o cidadão das decisões. No entanto ninguém perguntou algo do género: "Tem alguma sugestão para um melhor modelo de democracia?". Ninguém duvida do que a pergunta quer dizer, e teria interesse saber a resposta. Não para tentar encostar Saramago à parede mas por genuíno interesse.

Humor Sueco

No smoking
Sinal na porta de um bar.

Uma das coisas que difere muito entre culturas é o humor. Este sinal não será humor particularmente sueco mas mostra que pelo menos têm a política certa sobre o tabaco. Já sobre as horas das festas precisam de uma política mais alargada e abrangente...

Nova Paixão

Tenho uma nova paixão. Se não me virem nos próximos dias é porque não consigo tirar as mãos de cima dela.

Primeiras Impressões da Suécia

Depois de uma viagem de carro com algumas paragens e de alguns dias em Estocolmo resolvi finalmente escrever qualquer coisa no blog. As fotos que tirei já estão nas galerias. E agora algumas frases soltas:

  • Os suecos não são tão certinhos como se julga. Coisas que já vi:
    • Carros a passar duplos contínuos.
    • Carros a passar vermelhos.
    • Peões a atravessar no vermelho.
    • Condução a mais de 150 km/h em auto-estrada com muita chuva.
    • Alguém a mijar contra uma montra
    • Lixo pelo chão
  • A sensação de segurança é completa.
  • As coisas não são assim tão caras. Os supermercados são só um pouco mais caros.
  • O país segue um modelo de território diferente. Anda-se 5 km para fora de Estocolmo e está-se no meio da floresta.
  • Quase toda a gente fala bom inglês.
  • As mulheres pintam o cabelo de preto.
  • Alto, magro e loiro é exagero.
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