Arquivo: Junho de 2007

Máximos locais e globais

Hoje fui ao judo pela primeira vez desde que voltei a Lisboa. Já cá estou há três meses mas como trabalho até tarde ainda não tinha conseguido. Depois do treino voltei cansado e incrivelmente bem disposto. Imagino que as endorfinas tenham evoluído para nos manter bem dispostos depois de uma fuga alucinante de um tigre de dentes de sabre. Hoje em dia são uma droga como qualquer outra.

Tenho quase a certeza que amanhã vou ser mais produtivo que o normal. Quanto não sei, mas imagino[1] que o suficiente para compensar o que teria feito hoje se tivesse ficado até mais tarde. Fizesse eu isto duas vezes por semana e talvez o resultado líquido em trabalho produzido fosse superior ao actual.

Temos muita dificuldade em fazer este tipo de melhorias globais. Tendemos a tomar decisões olhando só para o momento corrente. Paradoxalmente[2], mesmo depois de fazermos uma análise deste género e estarmos racionalmente convencidos da solução melhor, não a escolhemos.

Já percebemos que as árvores que vemos formam uma floresta e entendemos o que isso implica. Mesmo assim falta algo que nos empurre a tomar a decisão que racionalmente já sabemos estar certa.

[1] E aqui estou a inventar números para chegar ao ponto que quero. A conclusão é que usar este tipo de droga é bom para a disposição mas não deve ser abusado em situações que necessitem de análise séria ou cálculo matemático. Felizmente apesar de o número de dentes do tigre ser primo e potência de dois é um número suficientemente pequeno para não fazer diferença.

[2] Palavra de seis sílabas para "por sermos estúpidos" (resultado líquido de menos uma sílaba).

Conceito de Arrumação

Alguém que me conhece desde que nasci disse depois de visitar a minha nova casa que julgava que era uma pessoa mais arrumada. Mesmo tendo em conta que me tinha mudado há pouco tempo e ainda não tinha tudo no seu sítio ou sítio para tudo, é verdade que não tenho a tendência a manter as coisas cuidadosamente alinhadas e "arrumadas".

Quando falamos em arrumação estamos geralmente a falar de uma propriedade visual das coisas que somos capazes de medir num relance. É uma medida de complexidade visual mas não necessariamente real. As duas coisas estão geralmente correlacionadas e é por isso que usamos a simplificação.

Há coisas que poderia manter mais arrumadas visualmente sem que isso trouxesse qualquer vantagem real. Podia passar a dobrar as t-shirts em vez de as atirar sem critério para dentro da gaveta ou não ter vinte coisas dispersas sobre a secretária. Nada disto pouparia mais tempo do que gastaria.

O critério de arrumação visual não tem em conta o princípio de Pareto (regra do 80/20). Aponta-nos para uma solução de 100%. Volta e meia percebo que a secretária está demasiado obstruída ou que preciso de tratar da roupa mas só face à necessidade é que arrumo[1].

O resultado final disto é o optimizar da função em detrimento da forma. Fazê-lo de outra maneira seria ficar escravo de um critério visual que só existe como aproximação de algo subjacente. Mais vale saltar esse passo.

[1] Pode-se entender isto como um modelo pull em vez de push tal como no Lean Manufacturing.

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