Máximos locais e globais
Hoje fui ao judo pela primeira vez desde que voltei a Lisboa. Já cá estou há três meses mas como trabalho até tarde ainda não tinha conseguido. Depois do treino voltei cansado e incrivelmente bem disposto. Imagino que as endorfinas tenham evoluído para nos manter bem dispostos depois de uma fuga alucinante de um tigre de dentes de sabre. Hoje em dia são uma droga como qualquer outra.
Tenho quase a certeza que amanhã vou ser mais produtivo que o normal. Quanto não sei, mas imagino[1] que o suficiente para compensar o que teria feito hoje se tivesse ficado até mais tarde. Fizesse eu isto duas vezes por semana e talvez o resultado líquido em trabalho produzido fosse superior ao actual.
Temos muita dificuldade em fazer este tipo de melhorias globais. Tendemos a tomar decisões olhando só para o momento corrente. Paradoxalmente[2], mesmo depois de fazermos uma análise deste género e estarmos racionalmente convencidos da solução melhor, não a escolhemos.
Já percebemos que as árvores que vemos formam uma floresta e entendemos o que isso implica. Mesmo assim falta algo que nos empurre a tomar a decisão que racionalmente já sabemos estar certa.
[1] E aqui estou a inventar números para chegar ao ponto que quero. A conclusão é que usar este tipo de droga é bom para a disposição mas não deve ser abusado em situações que necessitem de análise séria ou cálculo matemático. Felizmente apesar de o número de dentes do tigre ser primo e potência de dois é um número suficientemente pequeno para não fazer diferença.
[2] Palavra de seis sílabas para "por sermos estúpidos" (resultado líquido de menos uma sílaba).
