Arquivo: Janeiro de 2007

Referendo do Aborto

Vamos em breve referendar a despenalização do aborto. Creio que não é preciso argumentar que a contracepção é legítima e o homicídio ilegal[1]. O aborto ocorre entre a concepção e o nascimento pelo que algures aqui no meio passamos da legitimidade para a ilegalidade. A diferença entre o Não e o Sim é só uma questão técnica. Argumentam em que ponto começa a vida e daí deduzem até quando (se de todo) deve ser permitido abortar.

O único debate necessário para responder estritamente à pergunta é se a vida começa antes ou depois das dez semanas. Na realidade este debate raramente se faz. Definir em que ponto uma vida pode ser considerada um ser humano é essencialmente uma questão de opinião, não há uma resposta científica para o problema. Por isso o debate do referendo tornou-se antes numa discussão sobre os resultados práticos da lei.

Não tenho uma resposta sobre quando começa a vida. Não sei se as dez semanas são muito ou pouco. Acho é que podemos todos concordar que o objectivo é reduzir o número de abortos. A situação corrente é que o aborto embora ilegal continua a existir clandestinamente e sem condições ou controlo.

Porque não sei ter a certeza quando é que um aborto é um homicídio acho que a única solução viável é tentar reduzir a sua prática e é por isso que defendo a despenalização. Temos que atacar o problema às abertas em vez de nos contentarmos com termos uma prática subterrânea que existe porque vai contra uma lei que ninguém aplica. E se com isso conseguirmos reduzir o número de abortos[2] não vejo como mesmo os apoiantes do Não possam discordar.

[1] Admito que não há nem psicopatas nem padres entre os leitores.

[2] Naturalmente não está provado que tal acontecerá.

Telemóveis e aviões

Sempre achei idiota o facto de ter de se desligar os telemóveis quando se voa. Das duas uma, ou não há perigo e o aviso não faz sentido ou são realmente um problema e então é preciso é tornar os aviões seguros. Pelos vistos é a segunda hipótese.

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