Arquivo: Outubro de 2006

Votação Electrónica Inevitável?

As últimas eleições para presidente do Benfica foram realizadas usando um sistema de votação electrónica. A RTP fez uma fantástica reportagem/spot publicitário em que entrevista os fabricantes do equipamento e mostra como a votação vai funcionar. Puro marketing.

Mas o ponto mirabolante foi a entrevista ao representante da Comissão Nacional de Eleições que explicou que estavam a seguir o processo mas que cabia ao legislador decidir quando introduzir a votação electrónica nas eleições da República. Pelos vistos a votação electrónica é agora só uma questão de tempo.

Já afirmei antes que a votação electrónica é uma perigosa estupidez. Nem o representante da CNE nem o da empresa que vende o equipamento explicaram qual é a vantagem significativa em votar electronicamente. Já é mau andar a inventar soluções para problemas que não existem, mas este caso é especialmente escandaloso. A suposta solução é muito pior do que o que temos agora no requisito fundamental de um sistema de votação, fiabilidade dos resultados.

Cinema recente

Fui ver três filmes recentemente:

  • The Black Dahlia - Dos piores filmes que já alguma vez vi. A prova de que começando com um mau argumento se consegue fazer um mau filme. Se é que era preciso provar isso. A ideia geral não é má mas o filme acaba por não passar de uma sequência de cenas desconexas e estranhas. No fim lá explicam tudo e faz sentido mas não tem graça nenhuma.
  • Lucky Number Slevin - Tem o Josh Hartnett num dos papeis principais tal como o anterior e embora a personagem fosse completamente diferente ele consegue interpretá-la com a mesma cara de jogar póquer. A diferença é que neste filme isso faz sentido. Também é um filme de suspense/intriga e só fica tudo explicado no fim. A diferença é que ao longo do filme não ficamos com a noção que estamos a assistir a um monte de coisas irrelevantes e no fim não ficamos indiferentes ao desfecho.
  • Héctor - Mais um filme espanhol de grande qualidade. Também gostava que tivéssemos uma indústria de cinema tão viva. Por não ter grande orçamento não tem o requinte visual dos dois anteriores o que só torna mais evidente como está bem feito. Tem boas actuações e é passado num mundo que nos parece familiar e real. No fim ficamos com a certeza de que nos disse alguma coisa. O Lucky Number Slevin é muito entretenimento e pouca mensagem e o The Black Dahlia parece primeiro evitar a todo o custo fazer sentido para no fim não dizer nada.

A impressão com que fico ao contrastar o cinema de grande orçamento com o de baixo é que ganha muito em visual para depois perder em conteúdo. Faz sentido. Quando se investe tanto num filme é preciso tentar garantir o retorno e por isso é difícil ser-se arrojado. O cinema espanhol parece conseguir ter dinheiro suficiente para fazer bons filmes sem se tornar numa indústria gananciosa. É claro que o que isto quer dizer é que devemos continuar a vê-lo mas não demais. Se lhes damos muito mais dinheiro vai-se tudo. :)

Futebol no Estádio

Ontem fui ver o Porto a Braga. O Porto perdeu mas não foi isso que me chateou mais. Na época passada fui ver o Porto à Luz e é sempre igual. Embora se chegue a horas, a polícia consegue sempre demorar tempo suficiente para que se perca o primeiro quarto de hora do jogo. A parte do jogo que se consegue ver é passada de pé e no caso da Luz numa bancada onde não cabiam as pessoas que lá estavam. A claque e os que os rodeiam passam o tempo a mandar insultos aos adversários, incluindo o já tradicional insulto ao Benfica depois dos golos do Porto...

No fim do jogo é preciso esperar entre meia e uma hora para poder sair do estádio. Isto porque as claques de futebol são tão arruaceiras que não podem ser deixadas à solta junto da população em geral. Fica a bancada toda retida dentro do estádio, algo que só pode ser completamente ilegal. Parte desse tempo é passado a insultar os adeptos da outra equipa que se estão a ir embora.

A partir de agora só vou ver jogos de futebol na bancada central do Dragão. Já tinha concluído isso depois do jogo na Luz mas achei que em Braga seria diferente. Erro meu que não volta a acontecer. Depois perguntem-se porque é que ninguém vê jogos de futebol. Pode ser que este tipo de experiência valha 12,5€ (25 no caso da Luz) para alguém, mas esse alguém não sou eu.

[Valid RSS]