Os nossos olhos são de algumas maneiras parecidos com um sensor de uma máquina digital. Têm receptores separados para diferentes frequências da luz que depois são combinados para vermos uma imagem colorida. Quando a luz é muito fraca também têm ruído.
Os nossos olhos são é muito melhores que uma máquina fotográfica. São milhões de anos de evolução contra umas centenas de desenvolvimento. Uma das coisas que fazem muito bem é lidar com situações em que a quantidade de luz varia muito. Nesta foto a cabeça está completamente preta porque a câmara não é capaz de capturar ao mesmo tempo os detalhes na zona escura e na zona clara por detrás. Mas os meus olhos eram.
O que isto quer dizer é que muito raramente vemos algo verdadeiramente preto. Mesmo quando não há luz nenhuma vê-se um pouco de ruído cromático, muito parecido com o de uma máquina digital na sensibilidade alta. Provavelmente é isso mesmo, o nosso cérebro a tentar puxar pela sensibilidade dos olhos.
Descobri por mero acaso uma maneira de ver preto puro. Estava a ver um filme e olhei para o fio dos headphones em frente ao ecrã do computador. A luz estava apagada. Como os meus olhos tinham de se adaptar à luminosidade do ecrã estavam pouco sensíveis ao escuro. Como não havia luz ambiente e o fio era preto, o que vi era mesmo preto. Tentem com algo preto e basso em frente a uma televisão ou monitor.
Isto pode parecer uma trivialidade, e é, mas há algo de interessante em perceber que não é apenas cinzento muito escuro, é mesmo completamente preto, e mais escuro não há.