Fui e vim a Lisboa de comboio e fiquei estupefacto. Fica mais caro fazer a viagem de comboio do que de carro, desde que no carro vão pelo menos duas pessoas. Se forem quatro a diferença é ridícula. O que ou quer dizer que as nossas estradas estão altamente subsidiadas ou que o preço do comboio está altíssimo. Não há razão para um transporte de massas que é mais eficiente tanto em termos de energia como ambientais ser mais caro.
Para além do preço há a velocidade. Gastaram-se milhões e milhões a modernizar a linha do Norte para ter como resultado um comboio que demora menos 20 minutos que o anterior? Isto quando o anterior pára mais vezes? Onde estão os gestores da CP presos por gestão danosa?
O pendular é capaz de 220 km/h, mas só os atinge durante pouco tempo, perto de Aveiro. O resto do tempo arrasta-se a 80 km/h, às vezes menos. Isto porque a linha onde se enterraram tantos milhões não serve. Agora vai-se gastar outro balúrdio a fazer um TGV. Se este comboio andasse à velocidade a que pode não seria preciso. Podia-se fazer uma linha nova para este e gastar menos, mas como a União Europeia nesse caso não financia, não podemos. Não financia porque a linha do pendular conseguíamos contruí-la nós. O TGV é todo encomendado fora e o suposto investimento em Portugal é só miragem.
Portugal vive num estado letárgico. Irrita ver os empresários e políticos a queixarem-se da produtividade e dos funcionários públicos quando é por demais evidente que o problema é de gestão, tanto pública como privada.
Não há memória de um governo que tivesse alguma ideia para o transporte ferroviário em Portugal. O desenvolvimento é sempre em torno de transporte de passageiros e suburbanos. Como se vê no pendular nem este acerta. No entretanto continuamos a abastecer o país de camião. Os países centrais na Europa não fazem isso, metem tudo no comboio. Nós que estamos cá no extremo transportamos tudo de camião para ser mais caro.
Os nossos portos continuam uma desgraça porque, para além de serem mais caros, não têm bons acessos para o resto da Europa. No que é preciso investir e negociar com Espanha é em acessos de comboio de Leixões e Sines até aos Pirinéus, de preferência já com a largura de carril do resto da Europa (a Ibérica é diferente).
Portugal continua a brincar com o dinheiro que lhe vão dando. É o adolescente que quer ficar em casa dos pais Europeus para sempre. E de todo este suposto investimento não sai nada. O TGV para Madrid deve ser para podermos ir todos a correr prestar vassalagem aos donos Espanhóis da nossa economia, que é para não dizer do nosso futuro.