Arquivo: Outubro de 2005

Comprar roupa

Diga o que disser a minha mãe sempre tive um problema com comprar roupa que me servisse bem e gostasse. Antes era porque tinha fobia a compras. Entrava numa loja e comprava a primeira coisa que me parecesse bem, com o mínimo de experiências possível. Mais tarde quando chegava a casa descobria que afinal não gostava da roupa e não me servia assim tão bem.

Na segurança do meu quarto a exigência é sempre maior. O momento mais interessante é a viagem da loja a casa com o saco na mão, plenamente convencido de que o que ali levo é uma peça de roupa que parece que foi criada a pensar em mim...

Hoje em dia já não é assim. Já consigo estar numa loja algum tempo a escolher roupa. Desta vez foram umas calças de ganga. Pedi para experimentar aí uns 10 novos pares à sueca gira que me estava a atender e comprei dois pares de calças. [1] Ainda demorei o tempo necessário para que medissem a bainha numa delas para que ficasse ao tamanho. Faço progressos portanto.

Chego a casa todo contente com o par de calças que já estava ao tamanho e experimento. Já não acho que me estivesse bem. Desta vez não sei o que é. Os espelhos na loja devem estar falseados ou coisa do género. Depois de as lavar caem-me melhor mas na loja estavam perfeitas. São daquelas em que os tipos se esforçaram para as fazer em novas como se já fossem gastas. Não costumo gostar disso mas abri uma excepção para levar o tamanho que queria. Tamanho esse que agora parece errado... [2]

As calças de ganga ainda têm a particularidade que depois de lavar encolhem e alargam em sítios diversos. Só acrescenta à lotaria que é este exercício. A solução é deixar de ligar a como me ficam. O facto de escrever um post tão grande sobre isto mostra que preciso é de pensar menos no assunto; e é provável que faça mais pela minha imagem deixar as longas deambulações e treinar o andar relaxado ou a pose sentada (conceitos a explorar em posts seguintes :)).

[1] Um dos pares de calças que comprei não os teria experimentado se não me tivesse dito que eram os preferidos dela. Não sei quanto me estou a tentar enganar quando acho que depois os comprei só porque me pareceu que ficavam bem.

[2] Os tamanhos das calças na suécia são porreiros. Creio que passei de um 39 para um 29 sem fazer nada. Os leitores (só conheço raparigas) que indexam a sua auto-estima à medida da cintura das calças deviam experimentar isto. Acho que a Levi's usa as mesmas medidas.

Posts Acidentais

É bom ver que alguém no Acidental reconhece as suas limitações.

Falando a sério é pena que a qualidade média deste blog ande por volta disto. Para encher aí uns trinta posts por dia com comentários à esquerda é aparentemente preciso ser insípido e baixo. Não é uma coisa de direita. O Blog de Esquerda não é muito melhor embora produza conteúdo próprio mais regularmente em vez de se concentrar no comentário disparado da anca.

O que é bom no Causa Nossa não é que as tendências políticas gerais me agradem; é que 80% ou 90% dos posts (os do Vital Moreira) têm algo mais a dizer do que uma piada forçada sobre a última citação do Louçã.

Eu vejo um conjunto relativamente grande de blogs todos os dias. Vejo-os quase todos num leitor de RSS. Mesmo assim ter um blog na lista diária tem um custo em tempo. Aumentar o número de posts, baixando-lhes a qualidade é a direcção errada. Um blog não é um jornal, é suposto ser mais rápido e menos controlado. Isto não quer dizer que encher uma página de comentários irrelevantes seja boa ideia.

A utilidade de um blog acaba por ser uma multiplicação entre a qualidade média dos posts e o número de posts por dia. O Acidental parece atacar este problema dividindo por quatro a qualidade sempre que multiplica por dois o número. Pelo menos foi a impressão com que fiquei do resultado da última de recrutamento.

Mudar de aspecto

Nos últimos tempos mudei o aspecto do site duas vezes. Ambas no sentido de o simplificar. Sou adepto do minimalismo...

Desta vez quando acabei, verifiquei que todo o código era válido e que aparecia correctamente no Firefox e no Safari. No Explorer o desastre é total. Ainda tentei resolver isso mas desisti. O explorer é lixo inseguro e cheio de bugs. Eu sei que há quem veja isto com o Explorer. Tenho muita pena mas tenho mais em que perder o meu tempo do que andar a fugir-lhe aos bugs.

Espero que o aspecto esteja agradável e legível. Como usei mais uns gráficos nota-se muito a lentidão da ligação à rede em que está o site. É a tristeza das ligações em Portugal, com os seus 128kb de upload. Os fornecedores de serviços de web-hosting que vi são todos muito caros por isso vai ter mesmo de continuar assim lento.

Orwell e o 1984

Aqui está um artigo que liga a obra de Orwell à sua doença:

Eight years later, depressed by his wife’s death, Orwell moved to a windy and damp Scottish island. His health worsened significantly just as he was working on the first draft of "1984," Ross reports. Fever, weight loss, and night sweats sent him to the hospital, where he underwent “collapse therapy,” a treatment designed to close the dangerous cavities that form in the chests of tuberculosis patients.

Relying on Orwell's own descriptions of the treatment, Ross says it "may have influenced the depiction of the tortures of Winston Smith in the Ministry of Love" in "1984."

O artigo em si não é nada de especial. O que me chamou a atenção foi a explicação sobre em que condições terá sido escrito o texto que detalha as torturas dentro do Ministério do Amor. O livro é fantástico e essa parte, no final, é destruidoramente boa. Pelo menos é essa a memória que tenho, posso estar a colorir (ou a enegrecer).

Criação vs. Evolução

Uma peça humorística sobre o debate entre se fomos criados ou evoluímos:

Moderator: We're here today to debate the hot new topic, evolution versus Intelligent Des---

(Scientist pulls out baseball bat.)

Moderator: Hey, what are you doing?

(Scientist breaks Intelligent Design advocate's kneecap.)

Intelligent Design advocate: YEAAARRRRGGGHHHH! YOU BROKE MY KNEECAP!

Scientist: Perhaps it only appears that I broke your kneecap. Certainly, all the evidence points to the hypothesis I broke your kneecap. For example, your kneecap is broken; it appears to be a fresh wound; and I am holding a baseball bat, which is spattered with your blood. However, a mere preponderance of evidence doesn't mean anything. Perhaps your kneecap was designed that way. Certainly, there are some features of the current situation that are inexplicable according to the "naturalistic" explanation you have just advanced, such as the exact contours of the excruciating pain that you are experiencing right now.

O mundo sem copyright

Como seria o mundo sem copyright? É sobre isso que fala este artigo:

Copyright was once a means to guarantee artists a decent income. Aside from the question as to whether it ever actually functioned as such - most artists never made a penny from the copyright system - we have to admit that copyright serves an altogether different purpose in the contemporary world. It now is the tool that conglomerates in the music, publishing, imaging and movie industries use to control their markets.

These industries decide whether the materials they have laid their hands on may be used by others - and, if they allow it, under what conditions and for what price. European and American legislation extends them that privilege for a window of no less than 70 years after the passing of the original author. The consequences? The privatization of an ever-increasing share of our cultural expressions, because this is precisely what copyright does. Our democratic right to freedom of cultural and artistic exchange is slowly but surely being taken away from us.

Legalizar a droga

Um artigo de um antigo polícia americano que é da opinião que se deviam legalizar todas as drogas:

But no, I don't favor decriminalization. I favor legalization, and not just of pot but of all drugs, including heroin, cocaine, meth, psychotropics, mushrooms and LSD.

(...)

I've never understood why adults shouldn't enjoy the same right to use verboten drugs as they have to suck on a Marlboro or knock back a scotch and water.

Prohibition of alcohol fell flat on its face. The prohibition of other drugs rests on an equally wobbly foundation. Not until we choose to frame responsible drug use — not an oxymoron in my dictionary — as a civil liberty will we be able to recognize the abuse of drugs, including alcohol, for what it is: a medical, not a criminal, matter.

A banda sonora da minha vida

Se ouvimos a mesma música muitas vezes numa dada altura da nossa vida, quando a ouvimos outra vez lembramos. Ontem isso foi com Fiona Apple. De repente parecia que estava nos agradecimentos finais de um filme, naqueles que mostram excertos de algumas cenas. Quase que conseguia imaginar a lista do elenco a passar. Teve piada.

No meio disto encontrei uma boa ideia:

If there was a better way to go then it would find me
I can't help it, the road just rolls out behind me
Be kind to me or treat me mean
I'll make the most of it, I'm an extraordinary machine

Extraordinary Machine -- Fiona Apple

Viaticum

Capa do Viaticum

Vi-os na casa da música no Verão e foram fantásticos. São melhores ao vivo do que em CD; diferentes pelo menos.

Não percebo nada de música mas supostamente é do mais moderno que há no Jazz. Pedal de distorção no contrabaixo, distorção no piano de cauda (!) e uma boa bateria. Chamam-se Esbjörn Svensson Trio e são suecos. O seu último àlbum chama-se Viaticum.

Não sabia que era capaz de estudar a ouvir música. Continua a distrair-me um bocado mas isso às vezes até dá jeito. Este CD é muito bom. Ouçam e vejam se gostam.

Do que um homem é capaz

Estava a ouvir isto hoje e pareceu-me apropriado dedicar esta música à nobre luta dos militares e magistrados pelas suas merecidas regalias:

Do que um homem é capaz
As coisas que ele faz
P'ra chegar aonde quer
É capaz de dar a vida
P'ra levar de vencida
Uma razão de viver

A vida é como uma estrada
Que vai sendo traçada
Sem nunca arrepiar caminho
E quem pensa estar parado
Vai no sentido errado
A caminhar sozinho

Vejo gente cuja vida
Vai sendo consumida
Por miragens de Poder
Agarrados a alguns ossos
No meio dos destroços
Do que nunca vão fazer

Vão poluindo o percurso
Co'as sobras do discurso
Que lhes serviu pr'abrir caminho
À custa das nossas utopias
Usurpam regalias
P'ra consumir sozinhos.

(...)

Do que um homem é capaz
-- José Mário Branco

Todo este disco é altamente recomendado.

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