A cidade está deserta
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte
Nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas
Em todo o lado essa palavra
Repetida ao expoente da loucura
Ora amarga! ora doce
Pra nos lembrar que o amor é uma doença
Quando nele julgamos ver a nossa cura
Ornatos Violeta, Ouvi Dizer
(escrito em Sun, 31 Jul 2005 22:58)
A luz que nos serve de pano de fundo
Iluminamos em excesso as nossas cidades para evitar o escuro. Da mesma maneira que não conseguimos iluminar todas as vielas e todos os recantos não conseguimos o propósito inicial. Não conseguimos proteger-nos do escuro que há em nós. Ainda bem.
Neste filme com tão boa música proponho que alterem só o momento final:
Always and forever
We’ll be free
Always and forever
Be with me
We’ll have love aplenty
We’ll have joys outnumbered
We’ll share perfect moments
You and me
Lamb, Lullaby
(escrito em Thu, 28 Jul 2005 00:08)
Deve ser um grave sinal de paranóia descobrir que se começou a achar que as matrículas dos carros nos estão a querer dizer alguma coisa.
(escrito em Mon, 25 Jul 2005 10:06)
Movimento
| Aquiles: | Deslocarei esta pedra cem metros |
| Tartaruga: | E ficará no mesmo sítio |
| Aquiles: | Deslocá-la-ei duzentos! |
| Tartaruga: | E não se moverá |
| Aquiles: | Colocá-la-ei ao ombro e percorrerei de uma só corrida meia volta ao globo só para que o lanço seja tal que ao largar nem em órbita fique. |
| Tartaruga: | Pois eu aqui sentada sem a pedra ter já visto posso-te dizer que findo todo esse exercício, estando tu já derreado, a pedra não se terá movido nem o universo notado. As pedras tal como os homens não se medem por distância percorrida, nem por volume ocupado nem peso pesado. Os homens tal como as pedras medem-se pela sabedoria passiva de saberem quando estar quietos. |
(escrito em Tue, 12 Jul 2005 01:10)
Coração
O meu coração tem dono
É meu
Tem propósito
Bater
Serve o duplo destino
De me manter vivo
E sobressaltado
Nas noites que não durmo
Ouço-o a bater
Como ouvia os relógios antigos
Em casa da minha avó
Com o bater cadenciado
De ritmo estranho e parado
Que tanto conta as horas da manhã
Como mede os passos
Que vão daqui a outro lugar
Ou a lugar nenhum
(escrito em Tue, 12 Jul 2005 01:10)
Destino
Com a certeza livre
E o caminho ignorado
Sigo o destino das pedras
Estranho as árvores que o cortam
Ignoro as curvas que dá
Trago em mim a loucura dos despreocupados
Porque sei que no fundo
O resultado final
É igualmente irrelevante
(escrito em Tue, 12 Jul 2005 01:10)
O Mar
Dizem que a vida saiu do mar. A tendência é para que saia de lá de vez. Não o respeitamos porque ignoramos tudo o que não vemos. Sofreremos por isso. Talvez depois aprendamos algo.
(escrito em Tue, 12 Jul 2005 01:10)
O pôr-do-sol da mente
O sol põe-se na terra e em nós. O momento em que passa abaixo do horizonte marca-nos o passo. O espectáculo de ver a luz a acabar prende-nos porque nos esmaga. Percebemos como somos pequenos. Sabemos que o sol continuará no seu ritmo muito depois de termos desaparecido. A nossa escala é pequena, aproveitemo-la.
(escrito em Tue, 12 Jul 2005 01:10)
Bronzeado
Controlamos todos os efeitos que o meio tem em nós. Se nos bate o sol queremos escurecer, mas até isso temos de controlar. Demais e ficaremos vermelhos. Tanta coisa por um aspecto, ainda por cima transitório.
(escrito em Tue, 12 Jul 2005 01:10)
Sul
No ponto onde se acaba a terra e o Sul apetece saltar, cair e falhar o chão. Voar. Apetece existir no limbo deste ponto onde o céu, o mar e a terra se tocam. Apetece afrontar o tempo também e parar, mesmo, completamente. Talvez aí tenhamos a nossa calma.
(escrito em Tue, 12 Jul 2005 01:10)