Arquivo: Junho de 2005

Caminho Desfocado

And I went crazy again today, looking for a strand to climb
Paper Bag, Fiona Apple

A blurred path

Às vezes o caminho é incerto mas emocionante. Empolga-nos o desconhecido, não antevemos as dificuldades.

Às vezes vemos um conjunto assustador de luzes e sombras. Fugir ou ficar, a mais primária das decisões na natureza, racionalizada ao ponto de ser verso e rima só para não ter de se escolher.

Lá se foi a VOXX

Já se adivinhava que sem publicidade e com boa música não podia deixar de ir ao charco. Foi-se a VOXX, a única rádio que era capaz de ouvir consistentemente. Não era a minha ideia de uma rádio perfeita, mas era de longe a melhor de todas.

Acho estranho que uma fatia significativa dos meus amigos acha o mesmo, que nenhuma outra rádio lhes serve. Não é por só me dar com esquisitos. Estamos a falar de gente bastante normal que só não gosta da repetição constante e música do momento das outras rádios. Estimo que sejamos pelo menos 10% dos ouvintes da nossa faixa etária.

Face a esta população relativamente grande e à crescente facilidade técnica, estranho que não haja uma rádio para servir este segmento. Cada vez mais os media produzem conteúdo com menos variedade. Já há muito tempo que não vejo quase nenhum programa das estações de televisão de referência. Acabo por satisfazer o meu entretenimento e informação com a Net.

O aumento da facilidade de distribuição fornecida pela redução de custo da tecnologia devia aumentar e não diminuir a variedade. E isto acontece, na Net, nas pequenas estações de televisão (viva a televisão por Cabo), mas pelos vistos não na rádio. A cauda do conteúdo está cada vez maior e mais importante, mas os grandes aglomerados de comunicação social não parecem ver isso. É moda falar de blogs e de como são inovadores. Mas quase tudo o que se diz sobre eles são trivialidades. Temos enormes novas capacidades de distribuição e criação de conteúdo e só sabemos dizer banalidades sobre elas, não as usando realmente. É como estar a olhar para a floresta e só saber comentar a cor das folhas da primeira árvore.

Vírus de Computador

O conceito de vírus de computador foi criado com base no conceito dos vírus da natureza. Estes são partículas que infectam células de organismos vivos. As células infectadas passam a comportar-se de maneira diferente pela injecção de novo código genético.

Os vírus de computador são parecidos com os biológicos. Em vez de infectarem organismos infectam ficheiros de dados ou programas. Em vez de serem partículas físicas são sequências de bytes. De resto o processo de infecção processa-se de forma análoga. O ficheiro é infectado, alterando o comportamento do computador quando é utilizado, da mesma forma que o vírus biológico altera o comportamento do organismo ao modificar a célula.

Para contrariar infecções os organismos possuem mecanismos de combate activo como anti-corpos. Para os vírus de computador existem os programas anti-vírus. Estes programas procuram vírus conhecidos nos ficheiros do computador e eliminam-nos. Como estão sempre a ser inventados vírus novos estes programas têm de ser actualizados.

Tanto quanto vimos as semelhanças são muito grandes. Mas houve uma grande diferença que passou despercebida. Os vírus biológicos são entidades com existência própria. São uma partícula física, têm acção directa sobre o meio. Os vírus informáticos são só uma sequência de uns e zeros que representam as suas instruções maliciosas. Para que possam fazer alguma coisa é preciso primeiro convencer o computador a executar estas instruções. Esta é uma grande diferença para com os vírus biológicos. Um organismo está em risco de infecção porque está em contacto com o meio, e não é possível filtrar a 100% todas as interacções com o exterior. Um computador não está nestas condições. Os pontos de contacto com o meio são muito bem definidos e, comparados com a natureza, muito menos complexos.

Entre o organismo e o vírus há um conflito de armas muito iguais. No caso dos computadores a vantagem está claramente do lado do computador. Sempre que um computador é infectado por um vírus isto é sinal que há um erro num dos programas ou que o utilizador cometeu algum erro. Ao contrário do que acontece nos organismos vivos, no caso dos computadores os anti-vírus são a solução errada para o problema. A verdadeira solução para os problemas dos vírus de computador é resolver os problemas de segurança das aplicações que permitem a infecção e proliferação de vírus.

Uma das maiores fontes de infecção por vírus é o Internet Explorer. Como escrevi antes uma solução para isto é passar a usar o Firefox. Outros casos parecidos são o trocar do Outlook pelo Thunderbird e do Office da Microsoft pelo OpenOffice. Todos estes programas são gratuitos.

Para além de usar aplicações melhores também é preciso ter alguns cuidados elementares. Da mesma maneira que evitamos apanhar frio, devemos evitar correr programas cuja origem desconhecemos. Isto quer dizer que não devemos correr programas enviados como attachment no mail nem sacados da net de sítios desconhecidos. Uma solução um pouco mais radical, embora cada vez mais viável, é substituir o Windows e todas as suas aplicações por algo mais seguro como uma distribuição do Linux (sugiro o Ubuntu) ou um computador da Apple.

A infecção por vírus é inevitável num organismo vivo, e só podemos tentar reduzir a sua probabilidade. No caso dos vírus de computador isto já não é assim. A utilização de programas seguros e atenção a alguns cuidados pode eliminar completamente o problema dos vírus. Sendo assim, os anti-vírus são só predadores oportunistas dos erros nos programas que usamos e não deviam nunca ser necessários.

O estado do site

Nos últimos meses houve um considerável crescimento no número de visitas aqui. A média de 4 visitas diárias de Julho do ano passado subiu lentamente e transformou-se nas 53 visitas diárias do mês corrente. Não é muito mas é alguma coisa.

Outro facto interessante é que enquanto antes o Internet Explorer era claramente o browser mais usado, agora os derivados do Mozilla ganham com cerca de 24% das visitas contra 16% do Internet Explorer.

Para as pessoas que ainda usam o Internet Explorer gostava de chamar a atenção para algumas coisas. Já há algum tempo que o topo das páginas tem um link para uma página que explica que o Internet Explorer não funciona correctamente com estas páginas. Isto não é capricho meu, nem vontade de chatear ninguém. É mesmo complicado manter páginas com código correcto que apareçam direito em browsers que respeitam as regras bem como no Internet Explorer.

Se nunca ouviram falar disto tentem utilizar o Mozilla Firefox. É completamente gratuito e pode fazer download sem problema. As vantagens:

  • É seguro. Muitos dos problemas de vírus e outros perigos do género acontecem por inseguranças no Internet Explorer. O Firefox é mais seguro e reduz estes perigos
  • Suporta os standards da Web correctamente. O que isto quer dizer é que suporta as regras para o código da Web correctamente o que permite que pessoas como eu possamos tirar melhor partido delas, sem ter de atender aos comportamentos errados do Internet Explorer.
  • Tem funcionalidades modernas. Hoje em dia um browser sem tabs é uma antiguidade. Se usa Internet Explorer provavelmente não sabe o que isto é nem sabe o que está a perder. Este é só um exemplo das coisas mais avançadas que o Internet Explorer não possui. Outras são bloqueio de pop-ups de páginas ou pesquisa sem janela adicional. Veja mais.

Aos 16% da audiência que ainda usa o Internet Explorer: mudem, vão ver que vão gostar.

Quando acaba a noite

O porto a nascer

Quando acaba a noite chega o momento mais cru do dia. Se chego a casa e vejo isto sinto a fachada a cair. Há pouco de acessório que sobreviva. Aproveito e ofereço-te o nascer do sol.

(sem comentários) Comentar
[Valid RSS]