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O presidente da república resolveu nomear Pedro Santana Lopes para novo primeiro-ministro. Esta decisão foi polémica, como seria a outra. Não vou comentar se fez bem ou mal. Sou parcial. O que fez mal foi ter-se posto a dizer que este novo governo tinha de manter continuidade de certas políticas.
Não cabe ao presidente da república aprovar o programa de governo. Esse poder é da assembleia da república. A partir do momento em que o presidente nomeia um novo primeiro ministro, este responde perante a assembleia sobre o seu programa e não perante o presidente.
A decisão de Sampaio foi uma meia decisão. Havia argumentos para dissolver. Sampaio não queria. Não dissolveu mas pôs-se a colocar condições. Os únicos poderes que Sampaio tem sobre o governo são o de recusar dar posse aos ministros e secretários de estado e o de dissolver a assembleia, causando a queda do governo. Assim sendo, estas condições que coloca são ameaças. O presidente ameaçou Santana Lopes dizendo-lhe que se não continuasse as políticas do anterior governo o punha fora. Esta ameaça é grave já que não faz parte das competências do presidente da república a fiscalização do programa do governo. Não foi eleito para isso.
Esperava melhor de Sampaio. Que tomasse qualquer uma das duas decisões mas com firmeza, aceitando as consequências institucionais de cada uma delas.
